Doeu

Este o nosso destino: amar sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Carlos Drummond de Andrade
Ontem descobri que sinto ciúmes do Rogério com as meninas.
Ciúmes dele.
Queria que ele olhasse para mim com o olhar que tem para elas. Com um amor transbordante.
Tocou na sala uma música linda no CD player, e ele cantou para a Manuela olhando nos olhos dela e sorrindo. Eu nunca recebi isso dele..
Sempre ouvi dizer que quando nasce um filho o homem é quem sente ciúmes da mulher com o bebê. No entanto, aqui quem sente sou eu.
É um grande companheiro, cuida de mim, se preocupa com meu bem estar e tantas coisas boas que nem dá pra relacionar. Ele é tudo na minha vida. Mas de todas as coisas boas que vem dele pra mim a única que sinto falta é o romance. Eu devo estar querendo demais.
Um homem com tantas qualidades e ainda romântico?
Saí da sala chorando, e ele nem entendeu nada. Nem quis.
Escrito por Denise às 10:42 AM









